O director geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, falou na habitual conferência de imprensa diária em Genebra, dizendo que, de uma forma geral, «as mães que apresentam sintomas da Covid-19 devem continuar a amamentar os seus bebés, a menos que estejam gravemente doentes».
A OMS dedicou a conferência de imprensa, desta sexta-feira, ao tema da maternidade durante a pandemia do novo coronavírus, sublinhando que os benefícios da amamentação superam um eventual risco de transmissão da doença viral.
Dentro desta temática, Natalia Kanem, directora executiva da agência de saúde reprodutora da ONU, sublinha que, apesar das pandemias, as mulheres continuam a ter bebés e «não devemos parar de fornecer serviços que protejam a vida e a dignidade feminina».
A responsável revela que a falta de médicos, bem como as medidas obrigatórias de confinamento, levaram as mulheres a dar à luz em casa sem ajuda, o que causou algumas mortes. «Os serviços de saúde sexuais e reprodutores não são complementares, são serviços essenciais», disse Kanem.
Na conferência foram ainda destacados alguns dos impactos colaterais da pandemia. «Evidências preliminares sugerem que os adolescentes, na casa dos 20 anos correm maior risco de depressão e ansiedade», impulsionados pela crise de saúde pública.
Segundo Tedros existem também outros problemas problemas, nomeadamente «cyberbullying, violência física e sexual e gravidezes indesejadas, numa altura em que a capacidade de se dirigirem aos serviços de que necessitam foi reduzida», devido ao encerramento de escolas e universidades.
O director da OMS ressalva que «proporcionar às mulheres contraceptivos auto-injectáveis pode reduzir bastante o ónus de gravidezes indesejadas».
O director não deixou de sublinhar que a pandemia «continua a intensificar-se, à medida que se acelera a transmissão nos países com baixos e médios rendimentos», afirma referindo que «a OMS está preocupada com o impacto (da doença) em pessoas com dificuldades de acesso aos sistemas de saúde, nomeadamente mulheres, crianças e adolescentes».




